segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O Adeus a um Guerreiro

Ainda não tinha conseguido escrever sobre o que foi a perda do nosso amigo Ernani Henrique, que foi guitarrista da Ocean Soul e com quem tive a felicidade de dividir o palco. A ficha ainda não tinha caído, na verdade continua não caindo. Está sendo difícil encontrar as palavras, já comecei esse texto três vezes e voltei atrás. Resolvi esperar o tempo passar um pouco, já se vão 3 semanas, para ter um certo distanciamento. Mas mesmo assim, é duro, muito duro.

Por mais que, ao longo desses anos que conhecemos e convivemos com o Naninho, sempre tenhamos sabido de suas condições de saúde, não é algo para o que estivéssemos preparados. Não é certo, não é lógico, não é natural ver alguem ir embora tão cedo. E com toda aquela garra e a vontade de viver que ele possuía, no fundo achávamos que isso não ia acontecer.

Prefiro então, como homenagem, não falar da parte triste, nem dos momentos finais e nem da dor que eu, meu Marido e nossos amigos sentimos. Até porque se tinha uma coisa que definia bem o Naninho era o seu alto-astral e otimismo. Um tanto resmungão, o que lhe valeu o apelido de “Papai Velho” (juntamente com algumas outras manias de “idoso” que ele tinha), mas fundamentalmente bem humorado.

O que vou me lembrar pra sempre, e deixar registrado aqui, é o Naninho companheiro de aventuras e perrengues, como o show do Maiden em SP, como a viagem das sete bandas para tocar em Nova Almeida (ES), como o dia em que fomos todos tocar em Volta Redonda (RJ) e o pneu do meu carro explodiu. O que fica, é a imagem do músico perfeccionista e nerd, que passava o ensaio inteiro timbrando a guitarra com o notebook aberto e estava sempre correndo atrás de mais e melhores equipamentos. E vamos guardar pro resto da vida, também, a adoração que ele tinha pelo Iron Maiden, a ponto de tatuar um Eddie nas costas. Em um de nossos shows, no Calabouço Rock Bar (RJ), íamos tocar uma cover de “Prowler”, do primeiro CD do Maiden, e eu deixei que ele apresentasse a música. Todo feliz ele chegou no microfone e só berrou: “É IRON, PORRA!!!” E em seguida atacamos a música pois não precisava dizer mais nada...

Essa pessoa espirituosa, atenciosa, bem-humorada a ponto de fazer piada com a própria situação em muitas vezes vai deixar muitas saudades, mas por tudo que semeou aqui, pela quantidade de gente que correu ao hospital para poder vê-lo uma última vez (a ponto das recepcionistas acharem que se tratava de alguém famoso), ele com certeza está bem, em um bom lugar, cercado de paz. Espero que tenha onde plugar a guitarra e o baixo (ok, e o notebook para ficar timbrando também) por aí, meu Amigo, e que você tenha agora o descanso merecido.

Um comentário:

  1. Não conheci mas pelo carinho das suas palavras devia ser uma pessoa muito boa de conviver

    ResponderExcluir